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Em 1709, data em que o padre brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724) nascido em Santos-SP conseguiu em Lisboa, que o seu balão ou “passarola” como foi chamado pelo povo, se elevasse a quatro metros de altura na terceira tentativa e diante do rei D. João V e toda sua corte. Como na primeira tentativa a “passarola” havia pegado fogo, foi destruída por dois guardas, receosos de que o padre voador provocasse um incêndio no palácio. O experimento de Bartolomeu de Gusmão ficaria para a história como o primeiro vôo promovido pela engenharia humana.

Antes dele a teoria mais aceita é a de que os índios Nazca do Peru teriam feito um balão com fibras vegetais existentes naquela região, e que teriam sobrevoado o deserto de Nazca. As provas desse feito estão em peças de cerâmica datadas do ano 500 que estão hoje em um Museu na cidade de Lima.

É no entanto geralmente aceito que o primeiro vôo efetivo em balão foi o realizado pelos irmãos franceses Joseph e Jacques Montgolfier, primeiramente ao fazerem subir um engenho em 1783, meses mais tarde lançaram outro tripulado por um carneiro, um pato e um galo que retornaram ao solo em perfeitas condições.

O primeiro era na verdade um grande saco de linho com ar aquecido, que eles soltaram na praça de sua cidade natal, Vidalon-les-Annonay na França, este balão subiu a 45 metros de altura e percorreu cerca de 2,4 quilometros em 10 minutos. Já o segundo era feito a base de culose e fibras vegetais, o curioso é que encheram o balão de fumaça acreditando que esse fluído fazia o balão se elevar, quando na verdade era o ar quente. Finalmente em 21 de novembro de 1783, o Marquês François d’Arlandes e o físico François de Rozier eleveram-se ao céu na cela do balão projetado pelos Irmãos Montgolfier, o feito foi assistido pelo rei da França Luis XVI, pela Rainha Maria Antonieta, Benjamin Franklin e pelo público parisiense estimado em 300.000 pessoas.

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O vôo durou 25 minutos, enquanto os dois inventores alimentavam a fonte de calor com palha úmida e lã de carneiro, ao mesmo tempo tentavam se proteger dos vapores e do mau cheiro da combustão e cuidavam para que nenhuma fagulha pudesse tudo a perder.

Antes de todos esses acontecimentos uma das mais importantes descobertas para o mundo dos aerostatos já havia ocorrido: a do hidrogênio ou ar inflamável, como o chamava aquele que estudou suas propriedades, o físico inglês Henry Cavendish (nome hidrogênio, só foi inventado anos depois pelo físico francês Lavoisier). Correspondendo a apenas 1/14 da densidade do ar e de alta inflamabilidade, o gás era tudo com que os aeronautas sonhavam, o problema era encontrar um invólucro capaz de reter as pequenas moléculas do elemento.

Então ainda em 1783, o professor e membro da Academia Francesa Jacques A.Charles descobriu um novo tecido, a base de seda e borracha capaz de conter o gás. Ele então voou por duas horas e meia a uma altura de mais de 250 metros, por cerca de 40 km em um balão de gás hidrogênio.

No ano seguinte em 1784 Joseph Montgolfier voava no maior balão tripulado até então construído, com capacidade de 20.000 m³. Apartir desse ano a conquista dos céus começara.

Em 1784 também foi registrada a primeira mulher á bordo de um balão, Madame Thible, passageira de M. Fleurant.

O primeiro vôo na Inglaterra foi nesse mesmo ano e foi capitaneado pelo italiano Vicente Lunardi, que ficou no ar durante 1 hora e 40 minutos e foi recebido como herói pelo Rei George III.

Em 1785 um balão atravessava o Canal da Mancha com o francês Jean-Pierre Blanchard e o americano John Jeffries á bordo. Blanchard se encarregaria de divulgar o novo meio de transporte pela Europa. Oito anos depois o francês Jean Pierre Blanchard vôou pela primeira vez de balão em território americano, foi na Filadélfia na presença de George Washington.

Em 1786 foi realizado o primeiro vôo noturno de balão, na França de Paris à Breteuil.

Em 1798 foi realizada a primeira ascenção exclusivamente feminina de balão, por Mlle. Labrosse e Mlle. Henry em Paris, França.

Em 1850 o francês Giffard tentou acoplar ao seu aparelho um motor com hélices para impulsioná-lo e torná-lo independente do vento, mas não deu certo.

Em 1858 foram tiradas as primeiras fotografias aéreas de um balão, por Nadar em Petit-Bicêtre, França.

Em 1867 ocorria o primeiro vôo de balão no Brasil por dois americanos, J. e E. Allen. Nesse mesmo ano aqui no Brasil um balão foi utilizado na Guerra do Paraguai pelo exército Imperial para observar as linhas paraguaias no dia 24 de junho.

Em 1870 foi registrado o primeiro serviço postal aéreo, entre Paris e La Província, constituído por 66 balões postais.

Em 1884, o brasileiro Júlio Cezar Ribeiro de Souza (1843-1887) patenteou em Paris o dirigível Victória (subvencionado pela Assembléia de sua província, região que corresponde ao atual Estado do Pará), que vôou contra o vento e em linha reta. A primeira ascenção do Victória ocorreu em 8 de novembro de 1881. O brasileiro escreveu um livro “Memórias do novo sistema de navegação aérea” que estabeleu as bases da aerodinâmica. Mais tarde por problemas financeiros não pode continuar seus projetos, mas as leis que descobriu foram aplicadas por Alberto Santos Dumond 20 anos mais tarde, na mesma Paris.

Em 1893 Augusto Severo de Albuquerque Maranhão construiu em Paris um dirigível com o nome de "Bartholomeu de Gusmão".

Em 1898 Alberto Santos Dumont (1873-1932) no dia 4 de julho, elevou-se aos céus em um balão, chamado de Brasil com 6 metros de diâmetro, invólucro de seda japonesa envernizada e capacidade de 113 m³ de gás e um peso de apenas 14 quilos.

Em 1900 houve a primeira ascenção de um Zeppelin, dirigível rígido.

Em 1901 na França, Alberto Santos Dumont (1873-1932), com seu dirigível número 3 partiu de Vaugirard e foi em direção ao campo de Marte, já fazendo de tudo e indo aonde queria. Com o número 6 deu a volta na Torre Eiffel no dia 19 de outubro do mesmo ano, o que fez com que ganhasse o Prêmio Deutsch de La Meurthe, de 125 mil francos. Santos Dumond, com seu aprendizado de construção de aeronaves fez vários dirigíveis, até que acabou de construir uma aeronave mais pesada que o ar. A construção por Dumont de um balão de 186 m³ com hélice serviu de base para o famoso 14 BIS. Não podemos esquecer que Santos Dumond voou primeiro num balão comum, tão livremente como fazem os balonistas atuais.

Mas foi apenas em 1953 que o americano Ed Yost inventou o moderno balão movido à ar quente. Neste ano construiu um balão de 230 m³ que voasse com o auxílio de um maçarico como nos dias de hoje.

O primeiro vôo livre foi realizado em 1960 com um balão de 800 m³ cujo ar era aquecido pelo fogo alimentado pelo gás propano. A partir daí começa o balonismo como desporto.

O Canal da Mancha foi atravessado pela primeira vez com um balão de ar quente em 1963 . Com a introdução do balão na Europa, no mesmo ano é realizado o primeiro campeonato de balonismo.

O Balonismo chega ao Brasil em 1970, através do industrial Victorio Truffi que fez um vôo de 40 minutos em Araraquara-SP, ele foi o primeiro piloto brasileiro a ter autorização de vôo em balões e fundou o clube paulista de balonismo.

A partir de 1973, com a realização do primeiro campeonato mundial, o balonismo cresce em todo o planeta.

Em 1998 aconteceu o primeiro campeonato Brasileiro de balonismo em Casa Branca-SP.

Atualmente ocorrem no Brasil assim como no exterior vários Festivais e Campeonatos de balonismo reunindo muitos pilotos Brasileiros e extrangeiros, sempre atraíndo um grande público e tornando o céu mais colorido.

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